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O acaso, a pessoa controladora e um Feliz Natal!

Na semana do natal, eu comprei a última passagem. Esperava o ônibus para São Paulo na plataforma 11 da rodoviária de Brasília. Não preciso dizer como ficam as rodoviárias na semana de natal, não é? Pois bem, me posicionei na frente da plataforma. No horário marcado, parou um ônibus de outra companhia bem na minha frente, com o horário escrito no vidro dianteiro diferente em 15 minutos, chovia, e muitos ônibus estavam atrasados. Certa de que não era o meu ônibus nem perguntei nada, já tinha confirmado que o meu estava atrasado, apenas observei ele partindo... com uma sensação estranha... Pensei: nossa! Ele está indo para São Paulo, com uma diferença de 15 minutos, deve ter muita gente indo para São Paulo para ter um ônibus saindo com 15 minutos de intervalo, pensei ainda, não sabia que essa companhia tinha linha pra lá... Mas continuei conversando. Eu não tenho culpa de conversar com as pessoas, elas falam português como eu, e nunca vou saber quando vou reencontrá-las, eu acho o má...

Lagoa Rodrigo de Freitas

Foto fonte: http://www.respostassustentaveis.com.br/blog/na-lagoa-rodrigo-de-freitas-a-mare-esta-para-peixe-e-para-grandes-transformacoes/ Nasci na Lagoa, bairro nobre carioca, mas não se iluda, nasci em maternidade pública... Quando éramos adolescentes, um amigo, em homenagem às minhas longas pernas, às vezes me chamava de garça ... Isso, e muito mais, me faz amar esse poema de Gullar... Na Lagoa "A cidade debruçada sobre seus afazeres surda de rock não sabe ainda que a garça voltou. Faz pouco, longe daqui entre aves lacustres a notícia correu: a Lagoa Rodrigo de Freitas está assim de tainhas! - oba, vamos lá dar o ar de nossa graça, disse a garça e veio: desceu do céu azul sobre uma pedra do Aterro a branca filha das lagoas e está lá agora real e implausível como o poema que o Gullar não consegue escrever." Ferreira Gullar

Estou pouco me importando...

Pouco importa "Analfabeta que sou Não diferencio poema de poesia Rima de metonímia Rolha de vinho da cortiça de Portugal Mesmo assim, me chama a elegante e fina caneta e papel Transparente e firme Chama a caneta Com essa voz de canto de chuva ao cair no chão molhado, frio e lindo Que notas são? Em vão as notas, vão-se as notas... A voz feminina da caneta convida para uma festa Caneta fina, elegante, de voz firme, confiante O sangue marca o convite A marca da caneta pouco importa, se importa ou falsifica Ah! O convite, o vinho... Foi-se a rolha sem gosto, mais uma rolha, e outra, mais uma taça e outra... Com o gosto da rolha... Da rolha que partiu Se a rolha é da cortiça portuguesa, pouco importa se o vinho é do pobre ou da burguesa. Que tenha gosto de rolha! Se a rolha é da cortiça portuguesa, pouco importa a caneta, se de sangue tinto ou de tinta fresca."

Sobre a felicidade

"Na ânsia de se isentarem de suas responsabilidades sociais, alguns indivíduos afirmam categoricamente que a felicidade depende só de mim, depois, acusam-me de individualista. Quando sorrio enquanto o outro morre de fome, sou egoísta e insensível. A hipocrisia nunca doou sorriso nem ao menos ninharia. Eu tenho a consciência tranquila quanto a isso. A felicidade depende de mim, do outro, dos fenômenos da natureza e de alguns outros adereços. Tudo mais é alegria, e eu sou alegre, porque decido se vou sucumbir ou superar." Madalena Daltro.

Sentimento de coisa

Sabe quando a gente é ex alguma coisa? A gente já se deslumbrou, investigou, se encantou, conviveu, absorveu essa coisa, que por fim, nem era grande coisa. Daí a gente vê no presente alguém se encantando e morrendo por essa coisa, então... Isso desperta um sentimento que eu não sei o nome. E a gente nem pode falar nada porque a pessoa está deslumbrada pela coisa em questão. E corre-se o risco da pessoa te olhar com ar de superioridade, porque o deslumbramento faz isso, e a gente se cala. O que é essa coisa? Essa coisa pode ser carro, moto, bairro, ideologia política, religião, gente... E a gente se cala em respeito a escolha da pessoa, mas fica com esse inominável sentimento. O sentimento de coisa. Que coisa!

Metáfora

Metáfora Gilberto Gil "Uma lata existe para conter algo Mas quando o poeta diz: "Lata" Pode estar querendo dizer o incontível Uma meta existe para ser um alvo Mas quando o poeta diz: "Meta" Pode estar querendo dizer o inatingível Por isso, não se meta a exigir do poeta Que determine o conteúdo em sua lata Na lata do poeta tudo nada cabe Pois ao poeta cabe fazer Com que na lata venha caber O incabível Deixe a meta do poeta, não discuta Deixe a sua meta fora da disputa Meta dentro e fora, lata absoluta Deixe-a simplesmente metáfora"

Viva a vida!!!

Apatia - Livro Poesia Chick Lit 1 "Recuso-me a passar uma vida no marasmo da apatia no conforto da inércia na física estática de um livro na estante empoeirado... Apatia que inibe as glândulas de produzirem os hormônios mais vitais Letargia que força um ciclo lento de inércia e apatia apatia e inércia que embaça a vista e faz ver o mundo colorido embaçado, preto e branco..."