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Assumindo a tristeza para ser feliz

Eu sou triste como sou morena.

A tristeza é um parasita imóvel
que tenta imobilizar o hospedeiro no chão.

Mas eu tenho uma força dentro de mim
que me mantém em movimento
e essa força
é maior que a inércia da minha tristeza

Eu sou triste como sou mulher
e como mulher não paro um minuto sequer

Eu sou triste como sou brasileira
sou rebelde, espontânea, explorada
batalhadora...

Eu sou triste como qualquer coisa não dá para mudar,
mas também sou resistente, e essa resistência
eu não troco por alegria nenhuma desse mundo
porque a minha resistência é permanente
e a alegria passageira...

A minha resistência me satisfaz
e isso me basta.

Quando assumi a minha tristeza eu passei a ser feliz.

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- Madalena Daltro

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Soneto do Caixeiro

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Madalena Daltro

autora@globomail.com

https://www.facebook.com/poesiabrasileira.br