terça-feira, 15 de julho de 2014

Monólogo poético

Na porta da capela
Numa rua de pedra
Em Paracatu
Ela acendia uma vela
E entregava seu coração duro
Em troca de um coração de carne
Cheio de virtudes, amor e mansidão.

E eu?
Eu de tanto ver meu coração sangrar
Esfaqueado pelo desprezo,
Cravado de balas metralhadas pelos olhares mesquinhos
queria dela, com toda ânsia e desejo da minha alma
aquele coração de pedra.
Um coração de pedra era tudo o que eu queria
e precisava para sobreviver,
para não falecer em hemorragia.

Mas não tinha a tal vela, para fazer o pedido.
Meu coração ingênuo sempre andava desprevenido
Nunca tinha velas, nem barcos, ou ancoradouros
Andava descalço, exposto às ventanias e às flechadas dos cupidos.
Sua carne dilacerada sobrevivia sangrando,
Minando artéria, alma e ventrículos.

Queria propor uma troca.
Mas como trocar com ela,
se nem olhava pra mim?
Nem imaginava que invejava nela
Aquele coração impávido, de pedra polida
Sem pontas, sangue ou cicatrizes. Nada!
Apenas mineral, que ela queria despedir.
E eu com tantas despedidas
que deixaram o meu coração esburacado
queria apenas um coração novo, duro como as rochas
Para suportar as novas facadas.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Versos

"Verso versátil
que versa
o avesso do eu
perverso, em verbo
pervertido pelos
versos do universo
que habito, ao avesso
dos seus versos certos."

Madalena Daltro.