domingo, 24 de novembro de 2013

Estou pouco me importando...

Pouco importa

"Analfabeta que sou
Não diferencio poema de poesia
Rima de metonímia
Rolha de vinho
da cortiça de Portugal
Mesmo assim, me chama
a elegante e fina caneta
e papel

Transparente e firme
Chama a caneta
Com essa voz de canto de chuva ao cair no chão
molhado, frio e lindo

Que notas são?
Em vão as notas,
vão-se as notas...
A voz feminina da caneta convida para uma festa
Caneta fina, elegante, de voz firme, confiante
O sangue marca o convite
A marca da caneta pouco importa,
se importa ou falsifica

Ah!
O convite, o vinho...
Foi-se a rolha sem gosto, mais uma rolha, e outra, mais uma taça e outra...
Com o gosto da rolha... Da rolha que partiu

Se a rolha é da cortiça portuguesa, pouco importa se o vinho é do pobre ou da burguesa.

Que tenha gosto de rolha!
Se a rolha é da cortiça portuguesa,
pouco importa a caneta,
se de sangue tinto
ou de tinta fresca."

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